Absolutamente inoportuno o espetáculo de rua que o Presidente da República montou de novo em torno da sua figura. Já não bastam os dedos das duas mãos pra contar os seus “casos”, situação que por si só é profundamente triste e deprimente. Num tempo de inusitadas dificuldades sociais e económicas (de amplos desafios, também), entretém-se ele a dar tiros para o ar, a semear gafes, anulando (esvaziando pelo menos) a substância prática e abstata do cargo que ocupa. Aníbal Cavaco Silva vem criando, com efeito, um pessoalíssimo anedotário, a partir da fácil equação de silenciar-se quando devia falar e falar quando mais valia estar calado!
Não discuto as razões que lhe assistem ou não assistem na querela com o ex-Primeiro-Ministro. Simplesmente, devia (por uma vez) ter usado da dignidade e privilégios previstos pela Constituição relativamente ao magistério de Chefe de Estado, que é o seu. Se Sócrates era a pessoa que afirma ser (pessoa política, claro está), então o Presidente da República tivesse-o demitido! Vir agora acertar contas e lavar roupa suja, nos moldes sorrateiros em que o faz, é tarefa mal coincidente com o aprumo democrático e exemplaridade moral que se lhe exigem. Pior: acusar Sócrates, quando este se encontra retirado da cena política, soa a vendeta covarde e lembra o discurso vingativo da noite da sua reeleição.
Não discuto as razões que lhe assistem ou não assistem na querela com o ex-Primeiro-Ministro. Simplesmente, devia (por uma vez) ter usado da dignidade e privilégios previstos pela Constituição relativamente ao magistério de Chefe de Estado, que é o seu. Se Sócrates era a pessoa que afirma ser (pessoa política, claro está), então o Presidente da República tivesse-o demitido! Vir agora acertar contas e lavar roupa suja, nos moldes sorrateiros em que o faz, é tarefa mal coincidente com o aprumo democrático e exemplaridade moral que se lhe exigem. Pior: acusar Sócrates, quando este se encontra retirado da cena política, soa a vendeta covarde e lembra o discurso vingativo da noite da sua reeleição.
Nunca apreciei o estilo de José Sócrates. Não guardo saudades da sua governação, nem boas recodações do tom crispado e despótico com os seus ministros respondiam pelos atos de uma legislatura desastrosa e desalivanhada. Pode até ser que o Presidente tenha razão. Mas ninguém entende o tempo e o porquê desta guerrilha, agora. A Direita assobia e esfrega as mãos. Lá nisso Cavaco faz um bom trabalho: quando a coisa é a doer e a coligação precisa de um entertainer, lá ele reaparece dos fundos da cave onde vive, para assombrar a nação com intervenções tragicómicas, que não fazem rir de lamentáveis, nem chorar de ridículas.
Caso é que se pergunte se este homem não tem assessores, alguém que lhe diga, à puridade, na maior discrição, que uma coisa é ser presidente, outro faxineiro de lavandaria…
Caso é que se pergunte se este homem não tem assessores, alguém que lhe diga, à puridade, na maior discrição, que uma coisa é ser presidente, outro faxineiro de lavandaria…



