Sábado, 12 de Novembro de 2011

Outra vez a Europa de outras vezes…














Quando acontece a alguém próximo ter de receber cuidados médicos com intervalos de tempo cada vez mais curtos, algo em nós se prepara para o pior. Digamos, que a nossa capacidade de antevisão se decalca da experiência do fim colhida na morte de outros e, embora o queiramos negar, algo em nós (repito) se prepara para o pior…

Assim sucede com a Europa. A Europa que é de 50 países para umas coisas, de 27 para outras e ainda de 17 para outras, é uma manta de retalhos! Pior, a Europa é um tecido puído e inutilizado, de que se farão panos limpar o pó, onde uns bocados ainda assim se aproveitam melhor que outros.  E não digo que os europeus, no seu grosso, pensem nisso nos termos em que os escrevo, mas alguns europeus sim. Alguns europeus pensarão mesmo na amputação do corpo da Europa para salvar a sua parte da Europa, a sua Europinha boa e sã, mesmo desconfiando que a Europa toda fica a perder com a amputação, mesmo admitindo que foi por causa de semelhantes tratamentos médicos, no passado, que a Europa embarcou para duas grandes guerras, fora outras que foram quase tão devastadoras.

Nos tempos que correm fala-se demasiado disto. Fala-se sobretudo do mal que gangrena nas principais instituições e da linha que Merkel e Sarkozy desejam (desejarão) criar dentro do espaço outrora pujante e cosmopolita da União. Mas também isto é ver miopemente, porque há mais Europa (haverá sempre mais Europa) para lá da França empinada e da Alemanha obesa! Haverá sempre enquanto os europeus, que o sejam intrinsecamente, desprezarem os capachos dos EUA!

Os velhos grandes líderes e construtores da velha boa Europa, como o foram François Mitterrand, Helmut Koll, Jacques Delors ou Mário Soares, não passam já de nomes, de esquissos de um tempo que nada diz cidadãos da minha idade e, sobretudo, aos políticos que mandam nisto. Barroso mete dó, Merkel e Sarkozy metem nojo… e nós, nós metemos pena!