O mundo ocidental continua a fazer bandeira dos últimos sucessos na Líbia. Mas a queda do ditador Muammar al-Khadafi está longe de me deixar feliz, tal como a queda do ditador Saddam Hussein me não entusiasmou. Todos sabemos como funciona a maquinaria pesada do Ocidente: funciona a petróleo.
Se na Líbia as coisas se precipitaram, na Birmânia (ou Myanmar), por exemplo, as coisas arrastam-se. Os ditadores estão lá (desde 1962), mas a artilharia do bem e da ordem nem por isso se importa com as perseguições políticas, violência gratuita, tortura e mortes infligidas aos opositores. Qual a diferença? Khadafi tomou as rédeas do poder em 69 e foi deposto agora, quando a NATO vai perdendo a sua função originária (de defesa) e se comporta como o Capitão América do mundo moderno.
Uma última nota: e se de repente a Líbia se tornar um outro Iraque ou um outro Afeganistão? Num mundo cada vez mais saturado de islamismo radical, só nos faltava agora que os EUA & Cª ajudassem a criar outro estado pária, sob a pata oportunista da Al-Qaida…
