Quarta-feira, 31 de Agosto de 2011

O roubo no gás e na eletricidade

















1 de setembro assinala o dia em que o gás e a eletricidade passam a ser taxadas na República Portuguesa ao valor mais alto do IVA (no caso, ao índice módico de 23%). A brutalidade da medida só se percebe bem se explicarmos a quem venha de fora que as tarifas da eletricidade, por exemplo, têm sofrido aumentos significativos nos últimos anos e que a EDP, empresa que detém o monopólio da eletricidade no país é uma das que apresenta lucros mais proibitivos. E quem venha de fora perceber o roubo por esticão que agora nos impõem tem de perceber (voltando ao IVA) que a taxa anterior era de 6%! Ora de 6 para 23 são 17 e 17% é o maior e mais infame ataque à carteira dos portugueses nos últimos 25 anos.

É nisto que nos estamos a tornar: um país de pobres. Pobres e mal remediados, a quem se precisa de dar subsídios e passes sociais para combater somente os flagrantes da miséria. Vítor Gaspar quer com esta medida arrecadar mais 100 milhões de euros. Faz bem. Mas que os game aos banqueiros, a quem o empréstimo da TROIKA vai servir em primeiro lugar de tábua de salvação.

Curiosamente, vejo o país calmo e sereno. Alguém que viesse à confusão, a pensar no mesmo que se viu na Grécia ficaria admirado com a civilidade dos portugueses. Mansos e fadados a suportar com a desgraça, sem abrir a boca. E é isto o que me faz doer a alma: em lado nenhum se vê gente tão quieta e a levar no pelo!

Quantos aos aumentos, a partir de amanhã, uma coisa é certa: se agora há já 250 milhões em dívida dos consumidores de gás e eletricidade, o que se sucederá? Um sistema de gás social? Um projeto de restruturação da dívida à EDP? Sim, se o Estado não é capaz de pagar os seus compromissos, por que carga de água tem o cidadão de se abster de pedir aos seus credores uma TROIKA particular? E se para cada aumento indecoroso há um apoio estatal, que será de nós daqui a pouco a tempo? Uma repetição do início dos anos 30 nos EUA, todos em fila na rua, por causa do racionamento dos víveres?