Simpatizar ou antipatizar com um ministro não bastará para fazer dele um governante às direitas, mas é um bom começo. Nuno Crato, pode assim dizer-se, começou com pé direito, mostrando para já um desempenho interessante, discorrendo com inteligência e savoir-faire a propósito de temas da sua alçada e que até aqui foram tratados essencialmente como questões estatísticas, como sucede com os resultados dos exames nacionais. Crato em tido a grande qualidade de não levantar demasiadamente a ponto do véu, deixando que a reflexão faça o seu trabalho.
A decisão de aumentar a carga lectiva a Língua Portuguesa e a Matemática corrobora um pensamento rápido e agilidade política. Mas também coerência com o que vem afirmando há anos, antes de se imaginar sequer na tutela. Conhecidos os maus resultados dos Exames de 9º ano, o novo ministro da educação não criou espalhafato nem se deixou levar pelas hipócritas ondas de choque que se lhe seguiram. Ao invés das suas sucessoras, limitou-se a arregaçar mangas e a pedir trabalho. As estatísticas, ele sabe-o melhor do que ninguém, são fruto de gabinete. Os exames podem ser mais fáceis ou menos fáceis, consoante o artifício político que se queira operar (oiça-se esta entrevista). O que Nuno Crato detesta é o pêndulo entre o pólo dos bota-abaixistas e dos facilitistas. Seriedade pede ele e pede bem. Só por isso caiu nas boas graças de muita gente e com merecimento, diga-se.
