Sexta-feira, 29 de Julho de 2011

O campeonato nacional… de estrangeiros





















Já por diversas ocasiões me referi ao futebol português como a um antro de mafiosos e de parasitas e, naturalmente, obtive em relação a essa opinião a concordância de muitos e a discordância de outros tantos. Não se trata, como é óbvio, de uma “questão fraturante”, apenas de uma perspetiva que nuns casos e noutros nos levará ao mesmo: o futebol português já não é o que era. Um dos seus males é a falta de amor à camisola, o caráter fundamentalmente económico-financeiro, comercial, que a modalidade ganhou. A vinda de estrangeiros em doses industriais, como se de uma epidemia se tratasse.

No fim da época passada insurgi-me contra a quantidade de sul-americanos e de espanhóis nos emblemas cimeiros do nosso futebol (no meu Benfica em especial), cujo talento nem sempre me parece evidente (como o corroboram os rodopios e atrapalhações de um Cardozo). Desejei que isto fosse corrigido. Não foi.

Na passada quarta-feira, o Benfica iniciou o jogo contra o Trabzonspor com nada mais nada menos que dez estrangeiros! O mesmo Benfica que no defeso adquiriu tão só rês ou quatro craques “made in Portugal”, dos quais nenhum com certezas quanto à titularidade! E não só não apostou na nossa produção como exportou o seu melhor portento para o Real Madrid, desistindo assim de qualquer contributo direto para a espinha dorsal da Seleção, que durante décadas o encheu de orgulho…

Hoje mesmo, Joaquim Evangelista, Presidente do Sindicato de Jogadores, considerou estranho o comportamento dos principais clubes do nosso campeonato ao inscreverem nos seus plantéis legiões de jogadores estrangeiros, em detrimento (espantemo-nos) da nossa economia! Evangelista lembrou o apelo do Presidente da República no sentido de se apostar no produto nacional, bem entendido, neste caso nos atletas portugueses! E falou de jogadores no desemprego, de escolinhas a mais, de empresários sugando parte substancial das transferências, de falta de lógica e (espantemo-nos mais ainda) da necessidade urgente de uma “Troika” no futebol português, que nos venha obrigar a arrumar a casa!

Quem queira comparar a imagem dos estádios de futebol nos anos 60 (com cavalheiros de chapéu e senhoras ao lado), com as imagens de agora (repletas de energúmenos em tronco nu, arremessando objetos e frases repassadas de ódio e vil calão) há de reconhecer que o futebol perdeu o seu estatuto de utilidade pública, para ganhar o de lixo público.

Pessoalmente, já gostei de futebol. Hoje gosto menos do que antes e, provavelmente, mais do que virei a gostar no futuro. Nada neste desporto me garante o ideal do jogo limpo ou a saúde física e mental que se esperaria da sua prática. Estamos perante uma daquelas fases da nossa vida coletiva em que vale a pena pensar em mudar, e mudar radicalmente, como se impõe num qualquer reino da podridão!…