Estamos na era dos pequenos líderes, dos chefes de fila aparelhistas, que vestem a pele de um acto político para vender a sua banha da cobra. Nunca como nestas eleições (nas que decorrem agora mesmo no país) me senti tão pouco confortado com a possibilidade de escolher. Isto porque não posso, em consciência, sufragar nenhum dos candidatos a Primeiro-ministro, nem sequer nenhum dos dois blocos (o dos radicais anti-Troika e a dos situacionistas). Lembra isto o caso de um velho que tem uma fortuna a deixar, mas não sabe a qual dos herdeiros… porque nenhum deles lhe inspira confiança!
Não acredito em messias! Ao invés de muitos dos meus amigos, que agora dão a cara pelas mais variadas sensibilidades políticas, eu não acredito na boa vontade dos partidos nem na capacidade de regeneração da vida política de um momento para o outro. Ou seja, satura-me a veemência dos discursos ideológicos, pela presunção que tenho de que toda a ideologia precisa de ir para a máquina de lavar, andar uma hora entre detergentes e centrifugação e depois ser posta ao sol: está suja a ideologia, suja e repleta de nódoas difíceis!
O que eu gostava (e agora vem o devaneio, a utopia) era que o país fosse entregue a um colégio de homens bons (homens bons e mulheres boas), com inteligência, abnegação, honestidade e coragem suficiente para tirar Portugal da boca das carraças e das sanguessugas e para o devolver ao país, para esmagar a praga de insectos e melgas que não fazem pelo bem comum e nos pusesse a rolar numa só, clara e distinta direcção, custasse o que custasse. Mas não são Passos Coelho, nem Sócrates, tão pouco Portas, nem a dupla maçadora Louçã-Jerónimo, que o saberão fazer. Como disse, não acredito em messias, sejam eles de Massamá, sejam dos arredores!
