Toda a Europa tem os olhos postos na Grécia. Toda a Europa e toda a escumalha financeira do mundo ocidental, que inclui naturalmente a Europa. Alguma Europa. A Grécia é um país ferido (mais por dentro que por fora) e dará a volta à crise, porque os povos espezinhados têm no código genético essa força rejuvenescedora que aos outros falta. O parlamento aprovou mais medidas duras (não tinha outro remédio), mas não apagou (lá, como cá) o sentimento de raiva de quem não contribuiu minimamente para este “estado das coisas” e se vê confrontada com a imposição de pagar a factura. A raiva (lá, como cá) é altamente reactiva e não tem necessariamente que se esgotar no imediato, nas ruas.
Merkel felicitou Papandreou. Resta saber com que sentido. Quer dizer, com que profundidade? Também os chacais são cínicos e pacientes. E os abutres. E toda a raça de necrófagos e oportunistas. Toda a Europa, aliás, felicitou Papandreou. Até Portugal. Até o próximo animal na lista dos predadores. O que mete pena é esta sina dos gregos, a de serem sempre eles a ensinar aos outros a filosofia do bem e do mal… e, já agora, a de serem os alemães a demonstrar, no melhor sentido da palavra, o que significa hipocrisia.
