
As Comemorações do 10 de Junho deste ano ficaram marcadas, quanto a mim, pela escandalosa condecoração de Manuela Ferreira Leite com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo.
Que Cavaco sinta remorsos pela mossa feita na campanha eleitoral da Senhora Doutora, em 2009, compreende-se. Mas que os queira apaziguar, condecorando-a é coisa de pasmar. Pergunto-me: que fez a ex-Ministra das Finanças para merecer tal distinção? Ou por outra: porque não são então condecorados todos os ex-ministros da República Portuguesa?
Tenho a certeza de que apenas argumentos muito subjectivos determinaram esta decisão da Presidência da República. E tenho a suspeita de que o caso é apenas o princípio da nova era do Cavaquistão, agora que confortavelmente se ladeará por malta da Direita em São Bento.
Certo é que muitos ficaram por homenagear, legiões de bombeiros e polícias que arriscam a vida no cumprimento das suas obrigações cívicas, cientistas calados nos seus laboratórios, escritores e intelectuais, professores e empresários cujo papel é, esse sim, determinante para o bem comum. Ferreira Leite pode ter sido óptima, mas para quem?